Boulos (24%) e Nunes (23%) mant√™m empate na corrida eleitoral de São Paulo

Coach Marçal embola disputa no segundo pelotão em cen√°rios com e sem Datena e Kim

Por Redação em 29/05/2024 às 12:40:08
Na justaposição de imagens, o deputado Guilherme Boulos (PSOL) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB)

Na justaposição de imagens, o deputado Guilherme Boulos (PSOL) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB)

A corrida pela Prefeitura de São Paulo segue em empate técnico na liderança em dois cen√°rios testados pelo Datafolha. No mais completo, o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) tem 24%, enquanto o prefeito Ricardo Nunes (MDB) marca 23%.

Sem o apresentador José Luiz Datena (PSDB) e o deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil) na disputa, as posições se invertem apenas numericamente, com 26% a 24% para o atual titular do cargo.

É o que aponta o instituto em seu mais recente levantamento, realizado na segunda (27) e na terça (28) com 1.092 eleitores da maior cidade do pa√≠s. A margem de erro é de tr√™s pontos para mais ou menos. O trabalho foi contratado pela Folha e est√° registrado na Justiça Eleitoral sob o n√ļmero SP-08145/2024.

A pesquisa traz uma paleta de candidatos diferente daquela realizada em março —não havia o nome de Datena, do coach Pablo Marçal (PRTB) e de nanicos. Logo, não são compar√°veis diretamente, ainda que a rodada anterior também tenha aferido um empate entre os atuais l√≠deres, mas com intenções de voto superiores.

No cen√°rio com Datena e Kim, h√° um grande empate no segundo pelotão. Nele estão o apresentador recém-filiado ao PSDB (8%), a deputada federal Tabata Amaral (PSB, 8%) e Marçal (7%). Em um patamar numérico pouco abaixo v√™m Marina Helena (Novo) e Kim, ambos com 4%.

J√° a lanterna é ocupada por João Pimenta (PCO), Fantauzzi (DC), Ricardo Senese (UP) e Altino (PSTU), todos com 1%. Declaram votos em branco ou nulo 13%, e 5% não opinaram.


O segundo cen√°rio leva em conta o histórico de desist√™ncias, quatro ao todo, de Datena, e o fato de que dificilmente Kim ter√° a legenda da União Brasil, cujo principal cacique é o mais influente aliado do prefeito Nunes, o presidente da Câmara Municipal, Milton Leite.

Nele, além da troca numérica na primeira posição, aparece embolados Tabata e Marçal com 9%, Marina Helena com 6%, Pimenta com 3% e os restantes, com menos de 1%. Os brancos e nulos oscilam para 15%, assim com vão a 6% os que não querem opinar.

Nesse cen√°rio sem Datena e Kim, Nunes é o principal beneficiado entre os l√≠deres: herda 26% dos votos do apresentador e 24%, do deputado. Marçal fica com 27% dos votos do nome da União Brasil, dos quais 26% migram para o branco e nulo (são 21% entre os eleitores do pré-candidato do PSDB).


Na pesquisa espontânea, quando o eleitor não v√™ a lista de candidatos, o cen√°rio é de estabilidade ante março. Boulos surge com 13%, ante Nunes com 9% --sem ter o nome citado, 3% falam em votar no atual prefeito. Datena, Marçal e Tabata t√™m 1%.

A inserção de Datena e de Marçal impactou o cen√°rio geral, drenando apoio dos l√≠deres da disputa, mas considerando as hipóteses de deserção ou de apoio a Tabata por parte de Datena, o foco pol√≠tico mais imediato se volta ao coach.

Marçal, que até abril não era um nome cogitado, poder√° ser uma moeda de pressão de partidos ligados ao bolsonarismo, como o PL, para fazer subir o preço do apoio a Nunes —como temem os estrategistas do prefeito.


L√≠deres da sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outras agremiações t√™m se queixado do que consideram salto alto do prefeito na disputa, pela indecisão acerca de sua vaga de vice.

O coach alcança seus melhores √≠ndices entre quem votou em Bolsonaro em 2022 (14% no cen√°rio completo, 17% no segundo) e entre quem avalia mal o governo Lula (PT) (16% e 18%, respectivamente). Outros segmentos em que ele tem desempenho superior à média é entre jovens de 16 a 24 anos (11% da amostra do Datafolha) e evangélicos (28% dos ouvidos).

J√° o prefeito manteve o perfil de seu apoio, sendo visto como opção principal por quem votou em Bolsonaro (39% no cen√°rio completo) e por quem aprova sua gestão (49%). Sua intenção cai entre os mais jovens (13%) e mais ricos (14% entre os 6% que declaram ganhar mais de 10 sal√°rios m√≠nimos).

Para Boulos, a eventual manutenção da candidatura Marçal, no caso de os √≠ndices se estabilizarem, é boa not√≠cia pois cria uma cunha no eleitorado bolsonarista namorado por Nunes.


O pré-candidato do PSOL, por outro lado, tem seu próprio dreno relativo na figura de Tabata e, mesmo com o presidente Lula recebendo ameaça de multa por fazer campanha eleitoral antecipada para ele, não viu o deslanche desejado por aliados.

O problema principal para ele, avaliam advers√°rios e apoiadores, é a pecha de radical decorrente de seus anos como l√≠der do MTST, o movimento dos sem-teto associado por muitos no conservador eleitorado paulistano com invasão de casas e baderna urbana.

Na tentativa de ampliar sua coligação esquerdista, Boulos aceitou abrigar até um antigo aliado de Bolsonaro, o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub. Busca lembrar de gestões passadas do PT, como o de sua vice Marta Suplicy (2001-04) e de Fernando Haddad (2013-16) —mesmo com a impopularidade e derrota em primeiro turno do hoje ministro da Fazenda na tentativa de reeleição.

Essa procura por votos da periferia, de resto uma marca de Nunes e Tabata, não pagou dividendos para Boulos. Ele tem intenção na média nas regiões sul (26% numa √°rea com 30% da amostra) e leste (21% entre os 34% ouvidos daquela zona), e desempenho abaixo entre os 43% mais pobres (14%) e os 20% menos instru√≠dos (14%).

Na via inversa, alcança melhores √≠ndices na rica zona oeste, 38%, mas a região só tem 8% do eleitorado. O mesmo ocorre no centro, sua base eleitoral presumida pela ação do MTST, com 35% de intenção, mas apenas 3% dos ouvidos. Boulos vai melhor entre os mais ricos (42% entre os que ganham mais de 10 m√≠nimos, 37% entre os 10% com renda de 5 a 10 m√≠nimos) e mais instru√≠dos (37% nos 34% com ensino superior).


O cen√°rio do Datafolha com Datena também mantém Tabata estacionada, ainda que tenha havido um lançamento de sua pré-candidatura e o investimento do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), em sua equipe, com a chegada de nomes associados ao tempo em que ele era o longevo governador tucano de São Paulo.

O PSDB tem feito mistério, com lideranças jurando que desta vez, Datena é para valer, negando apoio a Nunes —que foi eleito em 2020 como vice de um tucano, Bruno Covas, morto no ano seguinte. A aproximação do prefeito com o bolsonarismo faz caciques torcerem o nariz e provocou o exterm√≠nio da bancada da sigla na Câmara local, que debandou para o governante.

Por fim, a desconhecida Marina Helena segue com citações significativas, ainda que não tão altas com o de todo modo incompar√°vel levantamento anterior. Uma hipótese para tal é uma confusão entre seu nome e o de Marina Silva, a ministra do Meio Ambiente e ex-candidata a presidente.


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Cintia Sales