SaĂșde incinerou R$ 227 milhões em vacinas da Covid em 2024

Foram descartadas mais de 6 milhões de doses da Janssen que perderam validade. Os lotes descartados são avaliados em R$ 227 milhões.

Por Redação em 29/05/2024 às 13:35:42

O MinistĂ©rio da SaĂșde incinerou em 2024 cerca de 6,4 milhões de doses de vacinas da Covid-19 que perderam a validade. Os lotes descartados são avaliados em R$ 227 milhões.

Os imunizantes foram fabricados pela Janssen e usam a tecnologia de vetor viral.

Essas doses descartadas estavam no estoque desde dezembro de 2021. Venceram entre setembro e outubro de 2023 ïżœ-esses imunizantes tĂȘm 2 anos de validade porque a SaĂșde passou a priorizar os imunizantes de RNA mensageiro, como da Pfizer e Moderna. Esse tipo de vacina perdeu força no SUS (Sistema Único de SaĂșde) desde o fim de 2022.

No total, a SaĂșde recebeu 41 milhões de doses da vacina da Janssen, sendo que 38 milhões foram compradas com o laboratório, e 3 milhões, doadas pelos Estados Unidos.

Mesmo com quase um ano de ter assumido a equipe de NĂ­sia atribui a responsabilidade destas perdas ao governo Jair Bolsonaro (PL).

Informações apresentadas em maio, após pedido da Folha, mostram que a SaĂșde descartou produtos avaliados em cerca de R$ 314 milhões em 2024. O valor inclui as vacinas da Janssen. Por regras da legislação sanitĂĄria, produtos vencidos ou que são reprovados em inspeção precisam ser incinerados.

Depois deste imunizante, os lotes incinerados de maior valor são de imunoglobulina anti-hepatite B e da vacina meningocócica, contra a meningite, avaliados em cerca de R$ 16 milhões cada.

No estoque central do ministĂ©rio, localizado em Guarulhos, ainda estão armazenados cerca de R$ 200 milhões em produtos jĂĄ vencidos e que devem ser incinerados. Os lotes mais caros (cerca de R$ 120 milhões) são roupas de proteção doadas ao Brasil durante a pandemia e que se tornaram um problema para a gestão atual, pois o descarte Ă© caro e causa dano ambiental.

Mesmo deixando o estoque vender, o MinistĂ©rio da SaĂșde planeja comprar 70 milhões de doses da vacina da Covid-19 em 2024. A pasta, porĂ©m, atrasou a compra emergencial de uma parcela de 12 milhões destes imunizantes.

O plano era receber em março as primeiras vacinas atualizadas para a Covid, mas as doses da fabricante Moderna começaram a ser entregues em maio. 

O atraso tornou o governo Lula (PT) alvo de crĂ­ticas que extrapolam o campo da polĂ­tica e vindas de grupos como o centrão, que cobiça o controle da pasta. Integrantes da comunidade cientĂ­fica, profissionais de saĂșde, entre outros grupos, lançaram um abaixo-assinado cobrando do MinistĂ©rio da SaĂșde a entrega das vacinas preparadas para novas variantes e mais medidas para fortalecer o combate à doença. 

O ministĂ©rio ainda não abriu a disputa pelo restante das doses que pretende comprar neste ano. Em nota, a pasta disse que o processo licitatório estĂĄ em andamento e que não faltarĂĄ doses para a população.

Fonte: Folha de S. Paulo

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Cintia Sales